Questionar os caminhos profissionais é uma constante na vida dos executivos, sob vários aspectos: seja pela ótica da carreira, da vida pessoal ou até mesmo das expectativas para o futuro. A pandemia trouxe ainda mais inquietações nesse sentido, principalmente pelas transformações provocadas pela nova forma de trabalho, que mudou o entendimento sobre a importância de equilibrar trabalho, família e vida social.
De acordo com o relatório Protegendo o Futuro do Trabalho, realizado pela empresa Kaspersky com mais de oito mil profissionais em 18 países, incluindo o Brasil, 53% dos entrevistados brasileiros pretendem trocar de emprego. Entre as motivações mais relevantes estão justamente o equilíbrio entre vida profissional e pessoal e a busca por melhores salários.
Danylo Hayakawa, sócio da EXEC, consultoria especializada em Executive Search, aponta que há muitas oportunidades no mercado de trabalho e que esses profissionais estão considerando outros aspectos além da remuneração para tomar essa decisão, como a cultura da empresa, as perspectivas de crescimento e o propósito organizacional.
“Hoje em dia, o salário não é mais o único atrativo para que um executivo mude de posição. É preciso atender a um checklist bem mais complexo, pois o dinheiro não é o único fator que traz felicidade para eles,” afirma Hayakawa.
Com sua experiência em recrutar executivos e acompanhar movimentações no mercado, Hayakawa ressalta que, muitas vezes, se não há identificação com a forma de trabalho, falta de desafios ou a ausência de perspectivas de crescimento, uma proposta com um salário alto pode ser facilmente recusada.
“A pandemia mudou a forma como os executivos pensam em suas carreiras e nas mudanças de posições. Eles querem se dedicar e se envolver em projetos interessantes, mas também valorizam o tempo para si e para a família,” destaca.
Se você recebeu uma proposta de emprego e não sabe o que fazer, Hayakawa elenca cinco critérios fundamentais que devem ser considerados antes de tomar uma decisão. Confira abaixo:
1. Cultura e valores da empresa
Segundo o especialista, é essencial fazer um verdadeiro “mergulho” na companhia, entendendo seu histórico, atuação, objetivos e forma de trabalho para verificar se há identificação com seus próprios valores e modo de pensar.
Um bom ponto de partida é pesquisar o site institucional da empresa, buscando seções como “Nossos Valores”, além de explorar suas redes sociais e a opinião de consumidores e colaboradores.
“Essa análise envolve entender a filosofia da companhia, o ambiente de trabalho, o perfil das pessoas com quem você irá interagir e o formato de trabalho (presencial, remoto ou híbrido). A chance de gostar do trabalho e crescer na empresa é maior se o executivo estiver alinhado com esses aspectos,” ressalta Hayakawa.
2. Motivação
Hayakawa destaca a importância de uma reflexão profunda sobre os reais motivos que levariam o executivo a mudar de emprego.
Você busca uma melhor remuneração? Equilíbrio entre vida pessoal e profissional? Localização mais conveniente? Oportunidades de crescimento? Envolvimento em projetos estratégicos?
O especialista faz um alerta importante:
“A vontade de sair do desafio atual não deve ser maior do que o interesse pelo novo desafio. O risco de o novo caminho não ser promissor é grande se essa for a única motivação,” afirma.
3. Projetos e perspectivas de médio e longo prazo
Essa avaliação envolve um olhar não apenas para os rumos da empresa, mas também para a posição que você ocupará.
“Em relação à empresa, é importante considerar o setor em que ela atua e o seu cenário atual. Quanto à vaga, analise os principais desafios da nova função, o potencial de impacto nos resultados da organização e as oportunidades de envolvimento em projetos que contribuam para o crescimento tanto da companhia quanto do profissional,” explica Hayakawa.
Além disso, considere o nível de autonomia para atuar em iniciativas estratégicas, a interação com outras áreas e a possibilidade de aprendizado contínuo.
4. O que a nova posição agregará à sua varreira
Como já mencionado por Hayakawa, a remuneração deixou de ser o principal fator decisivo para executivos em transição de carreira.
Nesse sentido, é fundamental entender o que a nova oportunidade representa para o seu desenvolvimento profissional. O cargo permitirá novos aprendizados? Haverá chances de atuar em setores diferentes? O escopo do trabalho será desafiador e enriquecedor?
“Avaliar o que essa nova cadeira trará em termos de crescimento pessoal e profissional é crucial para uma escolha assertiva,” enfatiza.
5. Propósito
De acordo com uma pesquisa da Harvard Business Review e do EY Beacon Institute, realizada com 474 executivos, o propósito da empresa é considerado um fator relevante na decisão de mudar de emprego.
Hayakawa destaca que é importante avaliar se o propósito da organização está alinhado aos seus valores pessoais.
“O propósito traduz o que a empresa representa em termos éticos, emocionais e práticos. Ele molda a cultura organizacional e define como a empresa deseja se posicionar no mercado,” explica.
Para o especialista, o propósito precisa ser algo no qual o profissional realmente acredite e valorize.
“Se não houver essa identificação, o executivo tende a se sentir desconectado e pode desistir da posição no meio do caminho,” conclui.
Fonte: Mundo RH